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TEXTO E CONTEXTO

Quem nos dera?

Quem nos dera, nos dera?
Ou quisera apenas nos emprestar?
Mas é que ao povo não se empresta,
o que por natureza já lhe compete guardar.

E quem nos dera, dera o que ao posto coubera?
Ou fugira ao rigor, como quisera?
E com vigor se pôs a desmantelar,
o que se levou décadas a edificar.

A imagem de um país devastado?
Uma pátria armada e desamada,
num novo verde e amarelo a nos envergonhar.
A polarização irracional e desmedida,
completa desempatia, um desirmanar sempar.

No desgoverno de povo perdido,
faltou-nos a liderança, o exemplo a dar.
De sobra, a falta de escrúpulos de quem compete zelar.
A perda perdida de vidas ímpares,
definhadas nos leitos e nas casas, sem ar.
Em vias de alcançar as sete centenas de milhar.

Quem nos dera que a maioria deste povo...
Quisera... Há um quadriênio, tivesse tido
um ato-feito-gesto outro, um passo bem refletido.
E não a vingança que, ao fim, só revida ao ressentido.

E agora, Dora, já não se faz a hora?
Aqui dentro a dor demora.
Lá fora, o vento ainda propaga um remanente ceifar.
Corre e percorre, mundo afora,
como a ida de Paulo, precoce, a nos arrebatar.
O legado de luta e riso é o que nos vigora.

A pílula que não se doura.
A dor duradoura que perdura.
A luta vindoura o que nos anuncia?
Mira-se, ouve-se, e já se tem um prenúncio.
Bom senso bem-vindo seria.
Cuidar da psique, do déficit; os corpos e as almas acalentar,
apurar responsabilidades, trocar o braço do leme,
ritmar o passo, andar para a frente,
mirar na ciência do que se vê e na empatia que se sente.
De um sonho intenso e um raio vívido,
de amor e de esperança o Brasil carece.

Patrícia Neves Franco
23/09/2022