HSL: assistência, ensino e formação de novas gerações de profissionais da saúde
Ser um hospital de ensino significa muito mais do que abrir as portas para estudantes acompanharem a rotina de médicos e outros profissionais da saúde. No Hospital Santa Lucinda (HSL), em Sorocaba, a integração com a Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da PUC-SP faz parte da própria identidade da instituição e reúne, diariamente, assistência à população, formação profissional, ensino, pesquisa e extensão voltados aos cursos de Medicina e Enfermagem.
Para a professora-doutora Cibele Isaac Saad Rodrigues, coordenadora acadêmica do HSL e ex-diretora da FCMS, a condição de hospital de ensino representa um reconhecimento construído ao longo do tempo. “Ser um hospital de ensino é uma grife conquistada por mérito”, afirma.
Segundo o diretor da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS), professor-doutor Godofredo Campos Borges, o hospital desempenha papel fundamental na formação médica. “O Hospital Santa Lucinda é o espaço onde o conhecimento adquirido em sala de aula se integra à prática clínica e ao cuidado com o paciente”, destaca. “Nele, o estudante desenvolve competências técnicas, raciocínio clínico, capacidade de tomada de decisão e, sobretudo, aprende a exercer a Medicina com ética, responsabilidade e respeito ao ser humano”, explica o diretor.
A certificação dos Hospitais de Ensino foi instituída em 2004, em uma iniciativa dos ministérios da Saúde e da Educação, com o objetivo de reconhecer instituições que, além da assistência à saúde, atuam na formação de profissionais, na pesquisa e no desenvolvimento de conhecimento e tecnologias voltados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Na avaliação da professora, esse modelo contribui para elevar continuamente os padrões das instituições envolvidas. “Este programa é, sem dúvida, um vigoroso indutor na qualificação destes hospitais”, destaca.
Da sala de aula ao cuidado com o paciente
Na prática, a ligação entre a FCMS e o HSL permite que os estudantes tenham contato direto com diferentes áreas da assistência ao longo de sua formação nas especialidades cirúrgicas como cirurgia geral, urologia, otorrinolaringologia, ginecologia e cirurgia plástica, além de maternidade, pediatria, cardiologia e ortopedia. O contexto fica ainda mais amplo ao se considerar que a estrutura do HSL conta UTI Adulto e UTI Neonatal, que dão suporte a diferentes setores.
O diretor da FCMS reforça que além de proporcionar diferentes cenários de aprendizagem, o Hospital Santa Lucinda favorece a integração entre ensino, assistência, pesquisa e extensão, aproximando a Faculdade das necessidades de saúde da comunidade. “A convivência diária com professores, médicos, residentes e profissionais de diferentes áreas fortalece também o trabalho em equipe e a formação interprofissional”.
Na maternidade, uma das áreas historicamente associadas ao Hospital Santa Lucinda, a implantação do Centro de Parto Normal (CPN) ampliou a estrutura voltada à assistência obstétrica, com foco também na humanização do atendimento.
Segundo a professora-doutora Cibele, estudantes e médicos residentes participam das atividades assistenciais destinadas ao SUS, que representam a maior parte do atendimento realizado pela instituição. “Ter um hospital próprio como campo de estágio certamente contribui sobremaneira para a qualificação dos nossos cursos de Medicina e de Enfermagem”, afirma.
Ao longo de um ano, cerca de 400 estudantes passam pelo Hospital Santa Lucinda. Entre eles estão principalmente alunos do internato do curso de Medicina, do 4º ao 6º ano, estudantes dos estágios supervisionados de Enfermagem, além de médicos e enfermeiros residentes e profissionais em cursos de especialização.
“É um grande contingente de pessoas integradas à vida que pulsa no hospital e às nossas ações de assistência à saúde, ensino, pesquisa e extensão diariamente”, observa a coordenadora acadêmica.
Ensino que também influencia a assistência
A presença constante de professores, preceptores, estudantes e pesquisadores produz reflexos que vão além da formação acadêmica. De acordo com a coordenadora-acadêmica do HSL, a própria dinâmica de um hospital de ensino estimula a busca contínua por melhores condições de atendimento. “A presença do ensino e da pesquisa no HSL o transforma em um polo de geração de conhecimento e cria exigências cada vez maiores para que se qualifique”, explica.
Professores e preceptores, segundo ela, participam desse movimento ao apontar necessidades de novos equipamentos, recursos e melhores condições de assistência. O resultado é uma relação em que ensino e atendimento ao paciente se retroalimentam.
“A busca por melhorias é um processo natural com a presença de nossos professores e preceptores demandando mais e melhores equipamentos e condições de assistência. Isso impacta diretamente no ensino, em um processo virtuoso”, afirma.
Esse é um dos aspectos que diferencia um hospital de ensino: aquilo que é aprendido, discutido e pesquisado no ambiente acadêmico encontra aplicação na assistência, enquanto os desafios observados no cuidado diário dos pacientes também alimentam novas discussões, pesquisas e oportunidades de aprendizado.
Uma ligação construída ao longo de décadas
A relação entre o Hospital Santa Lucinda e a Faculdade faz parte de uma estrutura acadêmico-assistencial que exige diálogo permanente entre professores, gestores, equipes de saúde e administração hospitalar.
A professora-doutora Cibele ocupa a Coordenação Acadêmica do HSL desde 2010. Entre suas atribuições está justamente realizar a interface entre Hospital e Faculdade, intermediando demandas acadêmicas e assistenciais e dialogando com os diferentes setores envolvidos. “Não é simples estar em uma posição de compreender os dois lados e tentar balizar os anseios de todos os que participam da gestão acadêmico-assistencial”, reconhece.
A experiência acumulada como diretora da Faculdade, no início dos anos 2000, e coordenação acadêmica do Hospital fez com que ela desenvolvesse uma relação particularmente próxima com as duas instituições. “Gosto de atribuir um pronome possessivo a essas estruturas porque elas são interdependentes. Se não tivermos pertencimento, dificilmente galgaríamos essa grife de ser, de fato, um hospital de ensino”, diz.
Para ela, esse trabalho também depende de uma atuação coordenada entre a gestão acadêmica e a administração hospitalar, além do apoio da Fundação São Paulo (FUNDASP), mantenedora da PUC-SP e do Hospital Santa Lucinda.
Recentemente, o HSL encaminhou aos Ministérios da Saúde e da Educação, toda a documentação necessária à sua recertificação como hospital de ensino, atendendo à nova regulamentação estabelecida pela Portaria Conjunta MS/MEC nº 8.033/2025, que substituiu a norma antiga de 2015.
Formação que ultrapassa os muros do Hospital
O impacto dessa estrutura pode ser percebido também depois da graduação. Ao longo de décadas, sucessivas gerações de médicos, enfermeiros e outros profissionais tiveram parte de sua formação realizada dentro do Hospital Santa Lucinda. Para a professora-doutora Cibele, essa é uma das principais dimensões da missão institucional do HSL. “Essa é a missão do Hospital Santa Lucinda, ou seja, a de formar gerações de médicos e enfermeiros que cuidam de pessoas diariamente, espalhados por todo o Brasil e até fora dele”, diz.
Por sua vez, o professor-doutor Godofredo reforça que o hospital não é apenas um campo de estágio, mas “parte essencial do ambiente acadêmico e um dos principais pilares para a formação de médicos competentes, críticos, humanistas e comprometidos com a sociedade”.